MORAR SOZINHO: ATÉ QUANDO ?

April 7, 2018

MORAR SOZINHO: até quando?

 

 Talvez o nosso maior medo quando se envelhece seja perder a autonomia e se tornar dependente. Ao longo do desenvolvimento o adolescente sonha em fazer 18 anos e poder ser dono do seu "nariz"! E depois que, gradativamente, se ganha o gostinho de independência, ninguém quer abrir mão de tomar decisões, fazer escolhas sem ter que depender tanto da família. Mas é claro que independência também tem haver com responsabilidade!  E chega uma hora, em que as rédeas da vida, tem que estar nas nossas mãos, sem delegar para o outro o que interfere na vida, independente, que tanto se almejou.

 

Algumas vezes, por comodidade ou por não querer assumir que aquela situação pode dar errado, e, vir o arrependimento, parece melhor deixar a cargo do outro, a escolha. Só que quando você delega a decisão para alguém, seja: pai, mãe, filho, namorado(a), amigo, chefe... você também está escolhendo! Então não adianta se omitir na tentativa de não ter responsabilidade ou culpa, por algo que saiu diferente do que se planejou. É assim, não acertamos todas as vezes.

 

Mas na vida, o tempo todos fazemos escolhas - das coisas mais simples às mais complexas- e isso quer dizer que temos autonomia pra decidir. O que é muito bom! Só que quando o tempo passa e se vira adulto, as decisões cada vez ganham mais peso e implicam ou envolvem outras pessoas. A tendência é aprender a lidar com os ganhos e as perdas que envolvem cada escolha. Muitas delas parecem que "saem" no automático, outras que precisam de tempo e reflexão! E assim... a vida segue.

 

Numa fase mais avançada da vida, as decisões podem conter nas entrelinhas a perda da independência, e, isso costuma a assustar. Especialmente para aquelas pessoas, que a família ou o trabalho impulsionaram a ocupar o lugar de decisão ou de gerenciamento. Aí..."o bicho pega"! 

 

Imagina um adulto mais velho que começa a ser sondado para que aceite a ajuda de uma pessoa, que não é só a diarista? Mas uma profissional que passe a trabalhar todos os dias na sua casa, ou uma acompanhante, ou mais ainda - uma cuidadora! A primeira coisa que passa na cabeça é: "tá pensando o quê? Que vou precisar de uma babá, ou alguém me vigiando o tempo todo?" E aí se instala uma resistência em aceitar o apoio de alguém. 

 

Em algumas situações é preciso mudar para a casa do filho, ou aceitar que a filha venha morar junto, na casa que antes era só sua! Toda nova organização ou modelo de vida traz junto um "medinho" de como vai ser, se ainda terá controle de TUDO (até porque esse é um grande engano: não se tem o controle que tanto se deseja)! E, por mais assustador que seja, nem sempre isso significa tornar-se dependente e perder o seu espaço. Pode ser um novo arranjo familiar, que apesar da mudança, seja positivo. 

 

A família precisa pensar - nestes momentos de transição - que a autonomia pode e deve ser mantida, apesar de haver alguma dependência. E, se levar em conta, que não deve haver superproteção mesmo com uma pessoa que inspire maiores cuidados. Deve-se zelar pela autonomia enquanto fizer sentido, porque assim se preserva a identidade e o desejo daquele indivíduo em qualquer fase da vida!

 

Por CHRISTINA BORGES

Psicóloga/ Mestre em Psicologia Clínica/Neurociências - Neuropsicologia

Cérebro Ativo – https: //www.facebook.com/cerebroativopsi (21) 98581.2121

www.cantinhodageriatria.com.br

 

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