Alterações cognitivas pós Acidente Vascular Cerebral

May 15, 2018

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) possui vários nomes, o mais correto é AVE

(acidente vascular encefálico), mas também pode ser chamado de infarto cerebral, isquemia cerebral, trombose cerebral ou o popular derrame cerebral.

 

Quando a lesão é no Hemisfério Esquerdo, ocorrem principalmente afasias, apraxias ideomotoras e ideacionais, alexia para números, descriminação direita/esquerda e lentidão em organização e desempenho.

 

Quando é no Hemisfério Direito, ocorre alteração viso espacial autonegligência unilateral esquerda, alteração da imagem corporal, apraxia de vestuário, apraxia de construção, ilusões de abreviamento de tempo e rápida organização, desempenho entre outros.

É sabido que, vão depender da área afetada para se fechar um diagnóstico e descobrir suas sequelas.

 

Como sabemos, o nosso cérebro recruta áreas difusas e coordena-as de forma integrada para realizar uma tarefa. Hoje vamos falar sobre os padrões de alterações cognitivas e suas alterações.

 

São elas:

NÍVEL FUNCIONAL

Dificuldade de filtrar a informação, dificultando a comunicação interpessoal num ambiente mais ruidoso.

Pode também ser difícil manter-se focado numa única tarefa (ex: ler um livro ou ver televisão).

 

É um grande desafio transferir a atenção de uma tarefa para a outra, se for interrompida, a pessoa pode não conseguir retomar a tarefa que estava a executar.

Dividir a atenção entre duas ou mais tarefas (ex: não conseguir tirar um café com sucesso enquanto fala com alguém).

 

Pode passar a processar a informação mais lentamente, não consiga acompanhar um discurso muito rápido.

 

Após um AVC no lado direito do cérebro, também é possível que a pessoa não repare em objetos que estão do seu lado esquerdos ou que não preste atenção à metade do seu corpo (ex: não fazer a barba do lado esquerdo) e que apenas coma alimentos apresentados do lado direito do prato.

 

ATENÇÃO

Dificuldade de concentração, especialmente na fase aguda.

Se não conseguir focar a atenção na informação relevante, não irá conseguir processá-la, codificá-la nem consolidá-la de maneira a utilizá-la no futuro.

 

MEMÓRIA

É muito comum surgirem problemas de memória após um AVC, particularmente nas primeiras semanas/meses. Explicado pela dificuldade de concentração.

A pessoa pode ter dificuldade em lembrar-se de informação que acabou de lhe ser comunicada ou daquilo que ia fazer. Pode esquecer datas importantes, onde colocou um determinado objeto, ou do nome de uma pessoa.

 

Associações mentais podem ser utilizadas para ajudar a reconstruir a memória.

Os terapeutas podem encorajar o paciente a visualizar algo familiar para ajudar a lembrar de um nome ou evento. Fazer listas, referências em calendários, e criar lembretes escritos é todos métodos úteis para recordar eventos e compromissos.

 

FUNÇÕES EXECUTIVAS

As funções executivas que os permitem planear, monitorizar e executar tarefas, resolver problemas e tomar decisões, assim como nos permitem adaptar a nossa resposta em função das contingências do meio. Poderão estar comprometidas.

 

O NÍVEL FUNCIONAL

Dificuldade em planear e executar com sucesso a confecção de uma refeição ou simplesmente não conseguir mudar o canal da televisão.

Pode também ter uma diminuição da iniciativa para fazer determinadas tarefas ou precisar de pistas de ajuda ao longo da tarefa

Dificuldade em l interpretar expressões faciais ou a linguagem corporal, limitando assim o funcionamento social.

 

CAPACIDADE PRÁXICA

Pode comprometer a capacidade para executar movimentos sobre aprendidos (ex: vestir, fazer chá, preparar uma refeição), mesmo na ausência de défices motores – apraxia.

Dificuldade em realizar uma tarefa por comando verbal (não justificado por alterações motoras), apesar de compreender perfeitamente o que lhe está a ser solicitado.

O planeamento do movimento poderá estar comprometido, pois pode não ser capaz de fazer o gesto de “dizer adeus” por comando verbal, mas ser capaz de fazê-lo espontaneamente quando alguém se vai embora.

 

Essas limitações podem ser facilmente confundíveis com dificuldades, mas os médicos dispõem de instrumentos que lhes permitem distinguir as duas condições.

 

CAPACIDADE VISUO-PERCEPTIVA

Após um AVC, a pessoa pode não conseguir avaliar certas características dos objetos, como: profundidade, tamanho, volume, orientação, avaliar a distância a que se encontra de um obstáculo ou a altura de um degrau.

Dificuldade em identificar um prato branco sobre uma toalha branca ou interagir com os objetos com sucesso.

 

GNOSIA (RECONHECIMENTO)

Algumas pessoas não poderão conseguir reconhecer um objeto visualmente, pelo toque ou pelo som. Este fenómeno recebe o nome de agnosia.

A pessoa pode não conseguir reconhecer o objeto visualmente, mas poderá não ter essa dificuldade quando toca nele.

 

FONOTERAPIA

A avaliação é feita junto a uma multidisciplinar composta por médicos, neurologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e psicólogos.

As atividades do treino cognitivo devem ser motivadoras, baseadas na comunicação verbal, ter um tempo suficiente, mas também não podem ser muito prolongadas.

A Terapia Cognitiva é necessária para melhorar a chance de recuperar o seu antigo estado de funcionamento mental.

 

O Fonoaudiólogo também atua em casos de comprometimento das funções da deglutição fala voz, linguagem, motoras, perceptivas e cognitivo-comportamental.

A reabilitação é possível graças à enorme capacidade do cérebro em aprender e mudar.

Hoje em dia sabe – se que as células de outras áreas do cérebro, que não foram afetadas pelo AVC, podem assumir determinadas funções realizadas pelas células da área afetada. A este fenômeno dá se o nome de neuroplasticidade.

 

A neuroplasticidade está presente ao longo de toda a vida, advém de modificações do sistema nervoso, em função das experiências vividas pelo indivíduo.

Os pacientes devem ter uma pessoa responsável para ajudá-los na tomada de decisões importantes, e ser a sua voz até que eles sejam capazes de recuperar o seu antigo nível de capacidade mental.

 

Escrito por

Ana Maria Mendes

Fonoaudióloga

(21) 999731439

E-mail anamende.br@gmail.com

 

 

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