O PACIENTE TEM O DIREITO DE SABER SOBRE O SEU DIAGNÓSTICO?

February 23, 2017

 

Esta é uma questão polêmica. As opiniões se dividem. E não há só divergência na opinião de familiares, mas também na dos profissionais de saúde.

E você, o que pensa? Como gostaria que fosse com você? Difícil, não?

 

Mas vejo muitas famílias preferindo não tratar deste assunto. Preferindo manter segredo sobre o diagnóstico. Preferindo poupar o paciente. Mas será que ele deve ser tratado como “paciente” – que é aquele que espera, resignado, conformado, que se submete passivamente. 


Ou é melhor ser tratado como alguém que pode ter uma postura ativa diante da doença e da vida enquanto assim o for possível?

Quando se mantém um segredo, existe algo que não é dito. Assim, se nega ao outro o direito de saber algo que diz respeito a ele. E será que cabe só ao familiar decidir, escolher?

 

É claro que estamos falando de uma doença que tem tratamento, mas AINDA não tem cura. E você pode pensar: mas se fosse uma doença que tem um bom prognóstico? Se existisse uma possibilidade de reverter, fazendo com que o cérebro voltasse a funcionar como antes? Aí sim! Mas não o que se tem pra oferecer? Pra que contar?

Pois é...esta é a questão: pra que?

 

Acompanhando famílias e idosos com demência há anos, vejo na minha prática como psicóloga, que esta questão em algum momento vai surgir. Muitas vezes, é a pessoa que vai percebendo os esquecimentos, os prejuízos que ocorrem no desempenho de algumas atividades cotidianas, ou mesmo na dificuldade de cuidar com autonomia e independência da própria vida e começa a questionar: acerca do tratamento que não está funcionando, existem outras alternativas de medicamentos, sobre o que mais se pode fazer para que não esqueça coisas tão simples, ou tão importantes, ou ainda tão significativas?...

E assim, com frequência esse dilema de contar ou não sobre o diagnóstico se impõe para as famílias ou profissionais.

 

Essa decisão deve estar sob a responsabilidade de quem?

A proposta é pensar sob a ótica do paciente. Vamos imaginar que ele/ela tenha algo que gostaria de decidir, esclarecer, conversar, perdoar, ser perdoado? E se for privado da possibilidade de saber a respeito da doença que é portador e qual o prognóstico, é possível que se o esteja impedindo de, no momento que ainda tenha clareza e consciência de seus desejos, tomar decisões importantes sobre um futuro próximo? Decisões que envolvam, por exemplo, a expressão de um sentimento, ou alguma “conta” a acertar, ou ainda presentear alguém com um objeto pessoal ou familiar que tenha valor sentimental importante, ou algum bem material que gostaria de deixar de herança. Enfim, podem ser tantos os desejos, vontades, situações...   

 

Não tenho respostas. Esta é uma questão polêmica.

As opiniões se dividem. E não há só divergência na opinião de familiares, mas também na dos profissionais de saúde.E você, o que pensa? Como gostaria que fosse com você? Difícil, não? Mas vejo muitas famílias preferindo não tratar deste assunto. Preferindo manter segredo sobre o diagnóstico. Preferindo poupar o paciente. Mas será que ele deve ser tratado como “paciente” – que é aquele que espera, resignado, conformado, que se submete passivamente. Ou é melhor ser tratado como alguém que pode ter uma postura ativa diante da doença e da vida enquanto assim o for possível?

 

Quando se mantém um segredo, existe algo que não é dito. Assim, se nega ao outro o direito de saber algo que diz respeito a ele. E será que cabe só ao familiar decidir, escolher?

 

É claro que estamos falando de uma doença que tem tratamento, mas AINDA não tem cura. E você pode pensar: mas se fosse uma doença que tem um bom prognóstico? Se existisse uma possibilidade de reverter, fazendo com que o cérebro voltasse a funcionar como antes? Aí sim! Mas não o que se tem pra oferecer? Pra que contar?Pois é...esta é a questão: pra que?Acompanhando famílias e idosos com demência há anos, vejo na minha prática como psicóloga, que esta questão em algum momento vai surgir. Muitas vezes, é a pessoa que vai percebendo os esquecimentos, os prejuízos que ocorrem no desempenho de algumas atividades cotidianas, ou mesmo na dificuldade de cuidar com autonomia e independência da própria vida e começa a questionar: acerca do tratamento que não está funcionando, existem outras alternativas de medicamentos, sobre o que mais se pode fazer para que não esqueça coisas tão simples, ou tão importantes, ou ainda tão significativas?...

 

E assim, com frequência esse dilema de contar ou não sobre o diagnóstico se impõe para as famílias ou profissionais. Essa decisão deve estar sob a responsabilidade de quem?A proposta é pensar sob a ótica do paciente. Vamos imaginar que ele/ela tenha algo que gostaria de decidir, esclarecer, conversar, perdoar, ser perdoado? E se for privado da possibilidade de saber a respeito da doença que é portador e qual o prognóstico, é possível que se o esteja impedindo de, no momento que ainda tenha clareza e consciência de seus desejos, tomar decisões importantes sobre um futuro próximo? Decisões que envolvam, por exemplo, a expressão de um sentimento, ou alguma “conta” a acertar, ou ainda presentear alguém com um objeto pessoal ou familiar que tenha valor sentimental importante, ou algum bem material que gostaria de deixar de herança. Enfim, podem ser tantos os desejos, vontades, situações... Não tenho respostas para oferecer.

 

Só reflexões! Essa decisão infelizmente, ou felizmente é dos familiares, quando deveria ser também do paciente quando ainda tiver discernimento sobre a sua própria vida. Mas embora não se tenha uma ”receita de bolo” (ou seja: faça assim que vai ser o melhor!) para tantas situações difíceis na vida e para as quais não recebemos nenhum “treinamento”, penso que o mais sensato seja ter empatia, desprendimento, respeito por aquela pessoa que tem o diagnóstico de demência, amor o suficiente para poder pensar que se trata de uma questão delicada onde o egoísmo – mesmo que seja na tentativa de preservar o outro do sofrimento ou talvez a si próprio – não deve estar presente.Na verdade, acredito que na demência, assim como em outras doenças neurodegenerativas com pouca ou nenhuma possibilidade de cura, os desafios são diários! Muitas vezes os familiares sentem como se tivessem “matando um leão por dia”!Então, a conversa entre os familiares – cônjuge, filhos, irmãos – na busca de um consenso pode ser uma forma de partilhar as dúvidas, os receios, medos, ansiedades sempre se levando em conta: e se fosse com você, que direito gostaria de ter? para oferecer. Só reflexões!

 

Essa decisão infelizmente, ou felizmente é dos familiares, quando deveria ser também do paciente quando ainda tiver discernimento sobre a sua própria vida. Mas embora não se tenha uma ”receita de bolo” (ou seja: faça assim que vai ser o melhor!) para tantas situações difíceis na vida e para as quais não recebemos nenhum “treinamento”, penso que o mais sensato seja ter empatia, desprendimento, respeito por aquela pessoa que tem o diagnóstico de demência, amor o suficiente para poder pensar que se trata de uma questão delicada onde o egoísmo – mesmo que seja na tentativa de preservar o outro do sofrimento ou talvez a si próprio – não deve estar presente.

Na verdade, acredito que na demência, assim como em outras doenças neurodegenerativas  com pouca ou nenhuma possibilidade de cura, os desafios são diários!

 

Muitas vezes os familiares sentem como se tivessem “matando um leão por dia”!

Então, a conversa entre os familiares – cônjuge, filhos, irmãos – na busca de um consenso pode ser uma forma de partilhar as dúvidas, os receios, medos, ansiedades sempre se levando em conta: e se fosse com você, que direito gostaria de ter?

 

Por Christina Borges

Psicóloga/ Mestre em Psicologia Clínica/Neurociências - Neuropsicologia

Cérebro Ativo – https: //www.facebook.com/cerebroativopsi (21)98581.2121

www.cantinhodageriatria.com.br

 

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