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  • Christina Borges

CUIDAR DO OUTRO E ESQUECER DE SI.


CUIDAR DO OUTRO E ESQUECER DE SI.

Para nós, mulheres, cuidar é algo tão natural, que parece estar entranhado na natureza feminina. Na maioria das vezes, cuidar, faz parte da educação que se recebeu. Se você tem mais de sessenta, pense se essa realidade era muito comum? Abdicar de seus interesses e desejos pra ajudar nos cuidados dos irmãos, ser responsável pelas tarefas domésticas, deixar os estudos ajudar em casa, não levar à frente aquele namoro pra poder cuidar dos pais/tios/avós... E assim foi a educação, que muitas de nós recebemos durante décadas.

Aos poucos essa realidade foi se modificando e a mulher foi adquirindo direitos que antes só eram permitidos aos homens. E aí tivemos acesso ao estudo, além do curso de formações de professores - não que essa profissão não tenha valor, pelo contrário! - mas porque escolher fazer o “antigo científico” ou mesmo o profissionalizante de contabilidade era coisa para os rapazes. E o casamento parecia ser o grande desejo e fim de se chegar na idade adulta. Com isso a vida da mulher se restringia à família e ao cuidado. No máximo, um trabalho que permitisse dar conta dos filhos, do marido, das tarefas domésticas! E muitas, além disso, ainda costuravam a noite pra ajudar a complementar a renda.

Então, o reflexo desse tipo de educação e do papel imposto à mulher, não permitia que ela deixasse de ser responsável pelo bem-estar da família. E, aceitando essa condição sem questionar, não se sentia merecedora de um tempo para si. Por isso que hoje, quando atendo algumas senhoras de setenta, oitenta anos... para elas soa tão estranho quando aponto a necessidade de CUIDAR MAIS DE SI. Se permitir criar um espaço para fazer o que se quer, sem antes pensar no bem-estar dos filhos ou marido.

Percebo, diariamente, como ainda é difícil se colocar em PRIMEIRO LUGAR! Mesmo com as mulheres mais jovens, surge a sensação de egoísmo - que pode dar até uma dorzinha no peito. A sensação muitas vezes chega a ser física! De aperto no peito mesmo. Só em pensar em não fazer aquela determinada coisa para um filho(a), pra mãe, pai, marido ou mesmo uma amiga! E se for uma criança, alguém mais velho, ou por algum motivo julgarmos que a pessoa é frágil, mais difícil ainda dizer um "não" e OFERECER UM "SIM" PARA SI! Se for para fazer algo que não seja um compromisso daqueles inadiáveis, pior ainda! Daí num piscar de olhos se adia aquele café com a amiga, a caminhada, o pilates, a soneca, o cinema, o cabeleireiro e até a ida ao médico.

Só que essa mesma mulher que se coloca em ÚLTIMO lugar na realização dos seus desejos, tem que estar "inteira" pra aguentar qualquer "tranco" na dinâmica familiar: pronta a acompanhar alguém num exame, ficar com o neto que não teve aula, ser a cuidadora dos pais que estão mais velhos... e tantos outros motivos que parecem prioridade. Mas lembre-se que para ser o porto seguro, o esteio ou o ombro amigo, precisa priorizar o cuidado consigo mesma! E principalmente saber que o lazer, a atividade física, a consulta periódica ao médico, a ida ao shopping, ou mesmo separar um tempo para fazer aquilo que se tanto desejou na juventude - é cuidar da sua saúde física e mental! É se manter saudável pra viver do jeito que se tem DIREITO, do jeito que se merece. Sem culpa! Sem remorso! Sem se sentir egoísta, mas dona dos seus desejos!

Por CHRISTINA BORGES

Psicóloga/ Mestre em Psicologia Clínica/Neurociências - Neuropsicologia

Cérebro Ativo – https: //www.facebook.com/cerebroativopsi (21) 98581.2121

www.cantinhodageriatria.com.br

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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