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  • Dra. Roberta França

DEMÊNCIAS - Quando nós somos os responsáveis pela incapacidade do Paciente


Já parou pra pensar que nós somos reconhecidos pelo que fazemos?

Numa festa por exemplo, quando conhecemos alguém uma das primeiras perguntas é " o que você faz?" Quando chegamos em casa o que perguntamos aos nossos filhos, esposas, etc... " como foi seu dia , o que você fez?"

Enfim pode parecer bobagem mas somos definidos ao longo do dia pelas atividades que realizamos. Consegue se imaginar dizendo " não fiz nada, absolutamente nada"

Quanto vazio!

Agora pensa o quanto anulamos o querer, o fazer e o sentir dos pacientes que estão com demência. É como se o diagnóstico anulasse seu existir!

Sem querer, e até no intuito de proteger, familiares e cuidadores impedem o paciente de realizar qualquer coisa, qualquer atividade por mais simples que seja. Impedem inclusive o paciente de escolher!!

Focamos tanto na doença que esquecemos da pessoa. Sofremos tanto pelo que estar por vir que esquecemos do ser humano, que sente, deseja, sonha e sofre! Sofre por ter sua identidade anulada mesmo antes de perde la... que se angustia pela falta de afazeres mesmo ainda sabendo fazer... que deprime pelo ócio tendo ainda capacidade de realizar...

Temos uma cultura de entender a demência como incapacidade total, como se no momento do diagnóstico o paciente deixasse de existir pra vida e se tornasse um vegetal. Não é assim...

Entre o diagnóstico e o acamamento total temos uma longa estrada, que pode passar de 20 anos !!!! Nessa longa estrada haverão perdas, confusões mentais, desorientações, perda de memória. Mas até lá quanta coisa podemos fazer! Fazer inclusive que essas perdas sejam lentas, bem lentas!!!

Pra isso é importante enxergar a demência como uma deficiência. Deficiência de memória. Toda deficiência pode ser ajudada.

Podemos ajudar muito!!!

A falta de memória não invalida a escolha da roupa, do sapato, do biscoito favorito ou do suco predileto! Não impede a escolha da música que se ama, arrumar a cama, separar as meias,dobrar as toalhas, catar feijão, passar um pano na mesa ou regar a planta.

Apesar das dificuldades de execução não é empecilho ficar na cozinha e acompanhar a hora do almoço, falar sobre os ingredientes e ajudar a colocar a mesa

Pode não ser na sua velocidade mas sempre da pra fazer...

Precisamos urgente repensar a forma de lidar com nossos pacientes.

Não seria melhor trocar os copos de vidro por acrílicos ou plásticos para que o paciente possa usar do que impedi lo de pegar?

São coisas simples mas valorosas!!!

Inúmeros estudos mostram que dar atividade aos pacientes demenciados reduz e muito as alterações de comportamento e quantidade de remédios.

Aumenta a independência e a auto estima.

Por mais comprometido que ele esteja busque adequar mínimas atividades ao que ele consegue realizar.

Mas permita!!!

Sem ficar chateado porque ele não faz o que você quer ou do jeito que você quer!!!

Lembre- se : na demência o paciente irá esquecer o que você falou, irá esquecer o que você fez mas jamais irá se esquecer como você fez ele se sentir...

E isso não tem preço!

Dra Roberta França

Medicina Geriátrica

de Corpo e Alma

Integrando ciências alinhamento e constelação sistêmica dinâmica

#RobertaFrança #cantinhodageriatria

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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