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  • Camila de Assis

Quando a Família negligência o Idoso


Recebi uma ligação da família de um senhor, que segundo eles, ouviram falar que a Fisioterapia tinha trazido benefícios para um conhecido. Pensou que talvez eu pudesse ajudar o pai deles. Perguntei: “Tem alguma patologia? Alguma restrição?” Resposta deles: “Nada! Meu pai está ótimo! É só para manter mesmo.” O que eu encontro: Homem, 85 anos, sem diagnóstico fechado, muita falta de ar a pequenos esforços, apresentando chiados na ausculta, grande perda do equilíbrio durante a marcha, tremor de repouso em mãos, perda de massa muscular, perda de força e desorientação. No dia que fui avaliá-lo, ele estava com a empregada doméstica que foi quem o conduziu ao médico as últimas vezes. A família era bastante ocupada e não tinha muito tempo para visitas. Bom, aleguei que não poderia prosseguir com o atendimento naquela condição. Ele apresentava sintomas de muito cansaço, mais pela dificuldade para respiratória. Finalmente, a família ligou para o médico que foi informado do que estava havendo, medicou e ele deu uma boa melhorada no quadro respiratório. Comecei a atender 3x na semana fazendo exercícios respiratórios, de força, equilíbrio e coordenação motora. Após 2 meses o paciente teve uma boa melhora na parte de equilíbrio e de força, às vezes declinava a parte respiratória, principalmente, com mudanças de tempo, mas a nebulização ajudava bastante. Para encurtar a história, um belo dia, eu recebi uma ligação da família do paciente, dizendo que ele havia caído, fraturado o pé, mas o médico havia determinado que não havia condições de fazer cirurgia, logo, ficaria imobilizado. Fui imediatamente, dispensada, mesmo explicando os malefícios da imobilização. Esclareci brevemente que ele deveria fazer exercícios respiratórios, trabalhar força, coordenação e alongamento com os membros não imobilizados e com o tronco. Assim, manteríamos o trabalho que já havíamos feito ao longo dos últimos 2 meses e evitaria piora do quadro e as úlceras de pressão. Mas, infelizmente, acharam a Fisioterapia dispensável, tendo que ele já era muito velho e não tinha motivos para se preocupar tanto com a parte física. Resumo: Neste caso, a Fisioterapia foi negligenciada desde a época em que poderia ajudá-lo bastante a evitar a perda de força, do equilíbrio, auxiliando na marcha e evitando quedas da própria altura como aconteceu. Entretanto, temos um fator triste nessa situação: a aceitação da família. Quando a família não aceita o processo de envelhecimento, senilidade, desorientação, falta de destreza, movimentos mais lentos, cansaço, fica tudo mais difícil. Logo, ao encontramos um ambiente, onde o paciente já está praticamente desestruturado por si próprio, mentalmente e fisicamente, faz-se necessário o apoio de uma equipe interdisciplinar que ajude a evitar os acidentes que possam prejudicar e piorar os dias que precederão este fato. Um ótimo médico, uma excelente equipe de enfermagem, fisioterapeutas competentes, fonoaudiólogos e psicólogo experientes, tornam a vida do Idoso e da família muito mais tranquila, equilibrada e estruturada. O que mais me chocou nesta história, foi a família acreditar que devido a idade avançada do pai, não precisava de acompanhamento e tratamento fisioterapêutico. Então, aproveito para deixar claro, que a Fisioterapia atua tanto preventivamente (é o ideal nos idosos que começam a não sair mais de casa) tanto na Reabilitação (após um trauma, após queda, após cirurgias). Nós fisioterapeutas trabalhamos com pacientes de todas as idades de acordo com as nossas especialidades. Logo, acredite, a Fisioterapia ajuda muito no futuro de uma pessoa. Seja ela um bebê ou um idoso. Camila de Assis Fisioterapeuta Contato: 21 99506 0646

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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