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  • Dra. Roberta França

POLIFARMÁRCIA - O QUE CURA TAMBÉM PODE MATAR


Apesar de falarmos constantemente de envelhecimento saudável, verdade seja dita que estamos muito longe de compreendermos e aceitarmos a prevenção como condição de saúde e qualidade de vida. Assim alguns aspectos do envelhecimento se tornam inexoráveis:

- aumento de doenças crônicas

- doenças não curativas

- doenças concomitantes

- risco de uso inapropriado de remédios

- risco de maiores efeitos colaterais

- risco de interação medicamentosa

- abuso de medicações não prescritas

A maioria das pessoas não tem idéia da gravidade de se tomar medicação sem avaliação médica. Muitos querem que o médico prescreva por telefone ou Whatsapp ou simplesmente lêem informações na internet e compram aleatoriamente nas farmácias.

No entanto conhecer cada medicação, seus efeitos benéficos e colaterais, suas ações no organismos e suas associações com outras drogas é uma arte que leva anos de estudos e uma vida de experiências.

Com o envelhecimento há aumento da gordura corporal ,redução da água corporal, aumento do metabolismo hepático, redução do clearance renal, aumento da permeabilidade da barreira hematoencefalica , diminuição da atividade colinergica e maior sensibilidade aos benzodiazepinicos.

Isso faz com que fármacos lipossoluveis se acumulem mais no corpo levando mais tempo para sair e os fármacos hidrossoluveis tenham maior toxicidade pela maior concentração.

Complexo? Muito!!!

Prescrever exige conhecimento, entendimento, olhar ampliado e muito mas muito cuidado.

Hoje fala-se em DESPRESCRIÇÃO.

A desprescriaçao é mais que prescrever o necessário mas, acima de tudo, retirar toda e qualquer medicação desnecessária ou que sabidamente causa mais dano que benefício ao paciente, ou até substituição por drogas compatíveis com a idade do paciente minimizando os efeitos colaterais.

Parece simples mas não é!!

A grande maioria dos pacientes são pegados a medicações que "tomam a vida toda" e se sentem totalmente dependentes.

Como podemos resolver isso?

Aqui o papel do geriatra tem sido fundamental. Na infância ninguém leva o filho a inúmeros profissionais. Leva ao pediatra. É ele que conduzirá essa criança em todos as suas patologias durante anos e só será encaminhada a algum especialista a critério do pediatra certo? Assim é o geriatra. Cuidamos globalmente do paciente. Quanto mais prescrições , mais receitas, mais remédios, maior risco de interações medicamentosas.

Assim o geriatra busca:

- visão global e expertise no atendimento ao idoso

- vínculo de confiança que deve preceder as decisões

- iniciar retirada pelas medicações sobre as quais o paciente tem menos percepção dos benefícios

- considerar sempre retirada gradual

- e diante da impossibilidade de retirada total reduzir ou substituir em benefício do paciente.

Eu sempre digo a todos os meus pacientes " remédio não faz milagre". Eles são coadjuvantes na sua caminhada rumo as mudanças de hábitos.

Caminhemos de mãos dadas.

Pense nisso...

#RobertaFrança

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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