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  • Christina Borges

DEPENDÊNCIA E LIMITAÇÕES


Todos sabem que um dia vamos envelhecer. Fato!

As rugas surgem, a pele perde o viço, a agilidade diminui, o equilíbrio não é mais o mesmo, a memória falha, os filhos saem de casa, a aposentadoria chega... E de repente só se contabilizam as limitações e, de longe, parece que a dependência começa a acenar! Affff.....

E com isso as relações se modificam. Muitas vezes, podem se inverter.

Os filhos que começam a tomar a frente de algumas decisões ou o companheiro(a). Mas talvez o mais difícil seja quando é aquela pessoa que foi a ajudante da casa, por anos a fio. Essa ajudante que é como uma pessoa da família e, muitas vezes, se transformou numa grande amiga. E agora tem algumas “funções” de cuidadora, especialmente pra acompanhar em alguma atividade ou compromisso fora de casa porque a família fica insegura com a falta de equilíbrio, os esquecimentos, a falta de segurança nas ruas.

Não bastando isso, um dia essa ajudante/cuidadora “simplesmente” informa e afirma que tem um compromisso inadiável e com hora certa, sem possibilidade de atraso. Como assim? Quem é a dona da casa? Quem decide - o que e como - vai ser realizada determinada tarefa ou compromisso? Foi isso que ouvi de uma senhora, com demência em fase inicial, durante a sessão de Reabilitação Cognitiva*.

Aí me deparei com a dificuldade e sofrimento desta mulher, que foi professora universitária, pesquisadora, independente financeira e emocionalmente, mãe dedicada, esposa e companheira que partilhava os projetos de vida com o marido e dona do “seu nariz”! E ela, ainda com lucidez, me relata o quanto vem sendo doloroso “alinhavar essas mudanças porque é uma relação diferente...estruturada de outra forma...com outros limites e que precisa se organizar em termos de ordens que ela recebe”. Estas são palavras dela que apontavam a dor de perder a independência e autonomia, e, me sensibilizaram.

Essa faceta da relação com o outro – que envolve o início de um quadro demencial que traz tantas angústias para o paciente, para o familiar e, também para a ajudante/cuidadora que não sabe mais que “lugar” ocupa nesta nova função - é um grande desafio.

E, na verdade, fico pensando ao final da sessão - que desta vez foi também terapêutica e não só de atividades cognitivas - o quanto é importante se colocar “na pele” do outro, seja: o paciente, o marido/esposa, o filho/nora, a cuidadora... e tentar entender as nuances e o impacto da demência no dia-a-dia da família. Só assim essas relações marcadas por sentimentos e emoções podem ficar mais fáceis de serem vividas.

* Reabilitação Cognitiva – são intervenções, realizadas por profissionais capacitados, que incluem repetição, treinamento, estratégias de aprendizagem e compensatórias. Através de atividades voltadas para a memória e outras funções cognitivas com o objetivo de minimizar o déficit, facilitar o desempenho nas atividades de vida diária e promover a qualidade de vida dos pacientes com demência.

Por Christina Borges

Psicóloga/ Mestre em Psicologia Clínica/Neurociências - Neuropsicologia

Cérebro Ativo – https: //www.facebook.com/cerebroativopsi (21) 98581.2121

www.cantinhodageriatria.com.br

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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