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QUANDO CHEGA O DIAGNÓSTICO DE DEMÊNCIA


QUANDO CHEGA O DIAGNÓSTICO DE DEMÊNCIA

O número de pessoas com demência cresce a cada dia. E com as projeções de aumento de pessoas idosas, e cada vez mais velhas, a tendência é que esse número aumente.

Éramos conhecidos por ser um país "jovem", mas essa realidade vem mudando. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, estão envelhecendo e sem muito tempo pra se preparar para esta mudança.

Observamos que se o País, os profissionais que trabalham com o envelhecimento, o poder público não conseguem planejar uma forma de lidar com o número crescente de pessoas idosas, imagina as famílias?

Além disso, vivemos num País em que existe um culto imenso a beleza, a juventude, ao corpo bonito e sarado. Então como pensar em envelhecimento saudável e patológico? Como pensar que um dia os nossos pais, tios, cônjuges, amigos ou nós mesmos podemos demenciar?

Se você pensar observar, a cada dia sabemos de mais um familiar ou conhecido está com um tipo de demência. A mais comum delas, é a doença de Alzheimer, por isso sempre nos deparamos com uma notícia no jornal, na televisão, no rádio ou nas rodas de conversa se referindo a esta patologia.

As estatísticas, progressões, notícias, parecem algo distante de nós, da nossa família.

Mas quando alguém muito próximo recebe esse diagnóstico, parece que se abre um buraco no chão e somos sugados por ele. Algumas vezes é algo tão novo, desconhecido, que não se sabe nem direito do que se trata.

E aí só com o tempo, a "ficha" vai caindo...

Quando aquela pessoa querida não consegue mais lembrar um recado ou então conta a mesma estória, faz a mesma pergunta várias vezes, ou ainda, não é mais capaz de administrar as finanças, sair sozinha, comentar um assunto que requeira um pouco mais de elaboração, ou mesmo não ser capaz de reconhecer alguém tão próximo...

Tudo isso, normalmente, vai acontecendo de forma lenta e gradativa como se fosse oferecendo um tempo pra família entender, aceitar, se adaptar. Mas mesmo assim, se faz de conta que não é tão sério, tão limitador, tão irreversível. Numa tentativa de negação dessa doença que tem tratamento - adiando o declínio de forma abrupta - mas que ainda não tem cura.

E como é difícil, em muitos momentos! Não estou falando da dificuldade de administrar a rotina que é trabalhosa, cansativa para quem está a frente do cuidado. Falo da dificuldade de ser ir perdendo aquela pessoa querida a cada dia. Como uma chama que vai perdendo a força e não tem mais o mesmo brilho.

Como é difícil procurar aquela pessoa pra conversar, trocar uma ideia, ouvir uma opinião e não encontrar mais... E se for o pai ou a mãe, a sensação é de ir se sentindo órfão; se é o marido ou a esposa, à sensação é de estar enviuvando; se for um amigo, é como se o mundo fosse ficando menor.

É um luto. Em vida. Diário.

Daí como fazer? Como suportar? Como se rearrumar, se redefinir?

Pois é...um desafio! Mas a vida nos impõe situações em que é preciso juntar forças pra seguir. O caminho solitário é árduo, sofrido, desgastante, penoso. Mas se você busca ajuda, divide a responsabilidade, delega ações, fica mais leve para continuar caminhando.

Existem possibilidades, não hesite em procurar ajuda. Converse com o médico que acompanha seu familiar, peça orientação e encaminhamento para um psicólogo que tenha experiência com as questões do envelhecimento, ou procure um grupo de apoio a cuidadores e familiares na sua cidade. Alguns locais disponibilizam esse serviço, como a ABRAz.

Mas o importante é não ficar guardando todos estes sentimentos só pra você. Não vai ajudar em nada! Somos mais fortes quando temos alguém pra partilhar.

Por Christina Borges – Psicóloga - Mestre em Psicóloga Clínica/Neurociências

Cérebro Ativo – https://www.facebook.com/cerebroativopsi/ Tel: (21) 98581.2121

Cantinho da Geriatria


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Textos e artigos da Dra. Roberta França

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