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  • Rodrigo Barionovo

Seu Chico


O mundo dá voltas, a gente nunca sabe o dia de amanhã, tudo acontece tão depressa, precisamos amar mais, abraçar mais, beijar mais, conversar mais, não deixe o tempo passar, as pessoas queridas partirão, aproveite o momento.

Como eu já falei antes, meu pai sempre foi muito fechado com seus filhos, mal conversávamos, abraçar então, só uma vez, na morte da minha mãe. Ontem meu pai era um homem forte, esguio, o "faz tudo" da casa. Lembro quando andávamos na rua e eu tinha que apressar os passos, quase correr, para acompanhá-lo. Hoje meu pai é um homem fraco, curvado, dependente da família para se locomover, ir ao banheiro, beber água, até mesmo se virar durante a noite.

Mas mesmo sendo um homem frio e calado, ele sempre foi um excelente pai, me deu de tudo, fez de tudo por mim e por meu irmão, os momentos de ausência eram pra compensar momentos de presença de comida dentro de casa. Meu pai e minha mãe formavam uma boa dupla, ambos trabalhavam, ambos cuidavam de nós, senti que meu pai perdeu um pouco o norte quando ela se foi, mas assim mesmo ele seguiu batalhando. Quando as pessoas dizem que sou um bom filho, que o que faço por ele muitos não fariam, eu costumo responder que estou apenas retribuindo tudo que ele fez por mim. Talvez ele nem lembre disso mais mas melhor lembrança (e pior) foi ao seu lado.

Foram noites em claro cuidando de mim enquanto me faltava ar nas crises de asma, no fim da noite era sempre ele que massageava minhas costas pois a dor de puxar o ar era insuportável. Dormia aos seus braços, o Sol nascendo e ele me deixando na cama pra ir ao trabalho, virado, cansado, mas com a certeza de que deixou seu filho respirando melhor.

Apesar de passar por tantas coisas com ele, não me arrependo de nada, são dias difíceis sim, choro sim, canso sim, mas sempre com a certeza que estou fazendo o meu melhor por ele.

Outro dia ele me disse: Obrigado, filho. Naquele instante eu senti a paz, naquele instante eu senti o seu amor por mim, naquele instante eu chorei, eram lágrimas de felicidade, naquele instante a barreira pai e filho se rompeu, naquele instante desatou o nó entre meu pai e eu.

- Rodrigo Barionovo Facebook: https://www.facebook.com/barionovofotografia/ Instagram: @barionovo

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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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