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  • Dra Roberta França

LUTO ANTECIPADO - UM OLHAR SOBRE O PROCESSO DA DEMÊNCIA


A palavra demência por si só já é impactante. Pensar sobre tudo que pode acontecer a partir do diagnóstico traz muita dor e sofrimento. Isso é real mas também pode ser visto e vivenciando de outras formas...

Chamamos de elaboração antecipada do luto a consciência , de pacientes e familiares, das perdas e limitações impostas pela doença. Num primeiro momento pode parecer algo muito duro e difícil... porém a insegurança e o medo são muito piores quando lidamos com o desconhecido.

Na perspectiva do paciente essa elaboração ocorre nas fases iniciais. Há a consciência de estar perdendo o controle sobre suas ações e decisões assim como perda da capacidade de realizar suas tarefas do dia a dia. Sente necessidade de ter sempre alguém por perto e muitas vezes não tem consciência que é uma doença inexorável, ou seja, não acha que irá morrer mas sente necessidade de colocar a vida em ordem.

Na perspectiva da família, cuidadores e amigos há uma certa indignação diante das perdas e são comuns frases como " ela não era assim" "não acredito que ele está fazendo isso" "que vergonha" "ela sabe sim!como pode não conseguir fazer?" Elaborar toda a evolução da doença é ajudar a todos a compreendê-la.

Nas demências o processo do luto antecipado não só permite o cuidador se preparar para a vida após a morte da pessoa amada mas também possibilita o reconhecimento das mini perdas diárias e sua aceitação.

Claro que nada é tão simples...

Ver o curso variável e flutuante do paciente, ora bem ora péssimo, causa angústia e incertezas. Perdas constantes e por vezes ilusórias recuperações mexem com a esperança e claro ver a dependência aumentando traz temor e tristeza. Mas entender que todo esse processo é o curso esperado da doença e que acima de tudo as complicações como dispneia( falta de ar) , dor, broncoaspirações, agitação e feridas podem ocorrer independente de todos os cuidados nos traz algo maravilhoso : A CERTEZA QUE VOCÊ NÃO É CULPADO DE NADA!!!

E pra terminar não poderia deixar de colocar a perspectiva do médico. É fundamental que nos coloquemos no lugar do outro e compreender como cada um compreende a morte. Isso vai muito além da excelência do controle clínico ... e muito mais da excelência em humanidade.... Fica aqui meu convite... Caminhemos de mãos dadas

Dra Roberta França

Medicina Geriátrica


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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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