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  • Dra Roberta França

O CUIDADOR


Após ler todos os comentários de Cuidadores no artigo "CUIDADOR A ARTE DE CUIDAR SEM SE ESQUECER " percebi o quanto esse tema precisa ser mais discutido. Ninguém disse que cuidar é fácil! Ninguém disse que a ajuda existe! Ninguém disse que há reconhecimento! Aliás escrevi muito sobre as dificuldades que todos que vivênciam o cuidado do idoso passam. Vejo isso todos os dias. Não importa se o paciente tem 2, 5 ou 10 filhos. Há o que cuida e os outros que reclamam. Não importa se o paciente foi uma pessoa bondosa e generosa, diante da doença poucos são os que ficam para cuidar. Ouço todas as críticas, desculpas e queixas. As vezes assisto diante de mim irmãos discutirem uma vida inteira de questões pessoais sem sequer pensar que a mãe está ali ouvindo tudo. São situações desgastantes e constrangedoras. Mas os anos me deram paciência, entendimento, compreensão e acima de tudo o não- julgamento. Procuro ser o ponto de equilíbrio para que todos saiam ganhando. Então alguns pontos são cruciais: 1) é comum um cuidador ( filho ou nao) tomar toda a responsabilidade para si. Acha que ninguém sabe cuidar melhor que ele. Acusa os demais de não cuidarem direito ou de forma adequada. Pense bem! Ninguém é igual a ninguém. Cada um cuida como sabe. Não existe melhor ou pior. Existe o cuidado que cada um é capaz de dar. Não tem que discutir... Senão você ficará eternamente responsável pelo cuidado . 2) tem o filho que diz não visitar por não suportar ver o pai ou a mãe daquele jeito... Como assim? Será que para os demais é divertido? Ver seus pais demenciar é difícil pra todo mundo e goste ou não o cuidado precisa ser partilhado e compartilhado. 3) tem o momento que o cuidador deseja descansar, sair ou passear. Esse é sempre um momento de stress. Ninguém nunca pode ficar. A família inteira tem sempre mil compromissos e jamais podem ceder um dia ou algumas horas para cuidar do paciente. Aqui infelizmente não tem formas delicadas de se resolver. É importante criar um calendário e deixar claro que se não houver cooperação o paciente deverá ir para outro local. 4)De um modo geral as questões financeiras são sempre presentes. O cuidador tende a arcar com todas as despesas do paciente ou grande parte. Familiares nunca podem colaborar ou se cotizar de alguma forma. Aqui não há muitas opções que não as legais. Hoje a lei é muito clara e cabe a família o cuidado com seu idoso. O diálogo é sempre o melhor caminho e as vezes chamar um intermediador ajuda muito. Alguém de fora da família que tenha um olhar imparcial ajuda a achar soluções para problemas que pareciam insolúveis. ... Hoje exerço esse papel com muitas famílias e busco sempre o caminho do diálogo respeitoso, do olhar generoso e do entendimento amoroso. Não é fácil!!! Sei que não!! Nem sempre consigo bons resultados mas posso garantir que tenho sucesso na maioria. Não é fácil vivenciar doença. ... Não é fácil vivenciar seus pais doentes... frágeis e por vezes tão incapazes. .. Por tudo que não é fácil o caminho mais fácil é o do repartir. .. repartir a dor, a tristeza, a raiva e a impotência... Por tudo que não é fácil o caminho mais fácil é o do compartilhar. .. compartilhar o trabalho, as dúvidas, as incertezas, os medos e as necessidades. .. Por tudo que não é fácil o mais fácil é somar esforços, generosidade, solidariedade e amor... Por tudo que não é fácil, tudo fica mais fácil quando damos as mãos! !!


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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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