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  • Dra Roberta França

PÓS QUEDA


Pós Queda - A difícil jornada da recuperação

Falei no último artigo sobre quedas e exemplifiquei com a história da minha vó Terezinha. Minha mãe essa semana pediu que eu escrevesse sobre o depois... O quanto é difícil o processo de recuperação... Ela está muito impressionada com minha vó e nas suas palavras " tenho uma dozinha dela, parece que de repente ela envelheceu..." Entendo exatamente o que ela quer dizer. .. A queda seguida de uma fratura é muito delicada. De forma geral, quando há necessidade de cirurgia, o procedimento em si ocorre sem intercorrencias. Já na recuperação muitas questões se apresentam e saber lidar com elas é fundamental para o paciente e o cuidador. Eles passam a ter um medo, quase pânico, de cair novamente e por conta disso, se recusam a andar. É muito importante o estímulo continuo para realizar mesmo que mínimos movimentos e assim que autorizado, a fisioterapia é mandatoria. Ela recupera os movimentos, devolve o equilíbrio e restaura a confiança. Eles preferem ficar deitados, queixam - se de muitas dores e se recusam a comer e muitas vezes a tomar a medicação prescrita. Por mais difícil que seja , neste momento o "pulso firme" é fundamental! Deitar o dia todo significa pneumonia certa! Não comer levará a piora da imunidade e a desnutrição! A falta dos remédios pioram a dor, além de descontrolar doenças como hipertensão e diabetes! Portanto é por amor que devemos ser mais firmes nestas questões. Falar com carinho porém mostrando que essas coisas não são negociáveis e mesmo que com intervalos curtos, redução da quantidade da dieta e intercalando as medicações, tudo será feito para que a recuperação seja o mais breve possível. Você poderá perceber ainda, uma piora da constipação intestinal, redução da frequência urinária e recusa para tomar banho. É comum eles "segurarem" por vergonha de se expor nus diante de filhos, netos e cuidadores... E nós também não teríamos? Fazer desses momentos de intimidade e vulnerabilidade o mais leve possível é importante. Se der coloque - os no vaso sanitário e deixe- os sozinhos para que possam se sentir menos invadidos. Retorne só para ajudar na higiene. Evite comentários sobre o que foi feito mesmo que de brincadeira. Na hora do banho, sempre tenha um banco de plástico para que eles possam sentar. Mantenha -se a certa distância se for possível ou ajude sem fixar o olhar ... O constrangimento melhora e muito! Depressão, ansiedade, tristeza e sensação "de que nunca mais vou ser eu mesmo" são comuns e cabe a nós estimular com palavras de amor e perseverança! Não minta mas também não valorize o ocorrido... Fale de coisas boas... Assista apenas coisas boas... O mundo anda carente de generosidade e delicadeza Façamos deste evento difícil um momento de aprender a conviver de forma harmoniosa, gentil e porque não, feliz... Cada um tem um tempo de recuperação Acredite! Confie! Dê o seu melhor... Isso basta!


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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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