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  • Dra Roberta França

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM DOMICILIAR - NURSING CARE


Assistência de Enfermagem Domiciliar vem demonstrando ser a nova fronteira dos serviços de saúde. Embora exista desde tempos muitos remotos, este tipo de atenção à saúde vem sendo atualmente muito enfatizada nos Estados Unidos e recentemente no Brasil. Segundo Bowman, nos Estados Unidos a Assistência Domiciliar vem crescendo rápida e diversificadamente. Projeções indicam que as necessidades de cuidados domiciliares bem como dos serviços por eles requeridos, devem se triplicar na próxima década. Alguns estudiosos americanos relacionam tal desenvolvimento a uma mudança de paradigma pelo qual vem passando o sistema de saúde local, no qual a ênfase no cuidado volta-se de seu sistema primário de cuidados a saúde anteriormente direcionado aos cuidados agudos. Tais mudanças estão relacionadas com questões de diminuição de custos do sistema de saúde e ao incremento do conforto e da privacidade oferecida pelo domicílio do cliente atendido. Historicamente, os hospitais foram criados para conveniência dos provedores de saúde. Era mais simples o médico, ou outro profissional de saúde, dirigir-se a um único lugar e ver muitos pacientes. No entanto, com o passar do tempo, pôde ser observada uma fragmentação do cuidado ao cliente permitindo que muitos profissionais e serviços fizessem a interface com o paciente e não necessariamente entre si. Alguns exemplos podem ser citados, como o acompanhamento inadequado do paciente após internação hospitalar, a procura de serviços de saúde para a execução de procedimentos simples devido à insegurança do cliente com o problema apresentado ou ainda a hipertrofia dos serviços de emergência por questões não emergenciais, ou seja, que poderiam ser resolvidas em unidades de cuidado primário à saúde que, no entanto, parecem não estar sintonizadas com os serviços de atenção secundária e/ou terciária, denotando uma importante falha no que é denominado sistema de referência e contra-referência. Assim, o desenvolvimento da assistência domiciliar surge em resposta a algumas demandas:

• Individualização da assistência prestada e a consequente diminuição das iatrogenias assistidas. • O desenvolvimento das ações cuidativas na privacidade e segurança da casa do cliente. • Possibilidade de o cliente/família manterem maior controle sobre o processo de tomada de decisões relacionadas ao cuidado à saúde. • de uma parceria entre os provedores de saúde e o cliente/família no alcance das metas estabelecidas para a assistência. • Diminuição dos custos quando comparadas intervenções equivalentes entre domicílio e hospital. • Maior envolvimento do cliente/família com o planejamento e a execução dos cuidados necessários desenvolvidos de forma mais individualizada e, assim, com responsabilidades equitativamente distribuídas.

Segundo Protnow e Samuels, o atendimento domiciliário representa uma estratégia de atenção à saúde que engloba muito mais do que o simples fornecimento de um tratamento padronizado, é um método aplicado ao cliente que enfatiza sua autonomia e esforça-se em realçar suas habilidades funcionais dentro de seu próprio ambiente. A Enfermagem tem demonstrado ser a chave para determinação das demandas dos clientes e da adequação dos modelos domiciliários a serem adotados, envolvendo planejamento, coordenação e avaliação dos cuidados prestados, integrando a promoção da saúde e a abordagem dos fatores ambientais, psicossociais, econômicos, culturais e pessoais da saúde que afetam o bem estar da pessoa e da família. A meta global é a manutenção do cliente na familiaridade, conforto e dignidade de seus lares pelo maior tempo possível prevenindo reinternações frequentes. Esta meta abrange os clientes com patologias gerais, inclusive os de causas psiquiátricas, onde também se caracteriza a importância do convívio familiar, onde a enfermagem com conhecimentos específicos pode intervir de formas diversas, prestando cuidados junto ao cliente, utilizando os manejos ou formas adequadas a cada situação. Estas atividades acontecem nos diversos níveis de atenção à saúde, a saber: primário, secundário, terciário e quaternário. Conforme o nível de atenção o enfermeiro realiza a visita domiciliar (primário), o seguimento ou assistência domiciliar para os clientes com problemas de pequena complexidade (secundário) e a internação domiciliar (terciário) para os clientes de média complexidade. Entende-se como visita domiciliar o tipo de atendimento domiciliário cujo objetivo é avaliar as demandas do cliente e seus familiares, bem como o ambiente em que vivem, e estabelecer um plano assistencial voltado à recuperação ou autocuidado. A assistência domiciliar compreende as atividades assistenciais exercidas pelos elementos da equipe, determinadas após visitas programadas. Neste nível temos também a prevenção secundária que compreende as medidas de diagnóstico precoce e tratamento imediato dos problemas de saúde, assim como as limitações das incapacidades. Já a internação domiciliar, consiste na transferência de aparato tecnológico específico à necessidade do cliente para seu local de moradia e de acompanhamento por profissionais de enfermagem, responsáveis pela execução da terapêutica adotada. Assim, pode-se pontuar como características basais da área:

a) a dimensão ampliada do assistir, ou seja, o enfoque não é a doença, mas a promoção, manutenção e recuperação da SAÚDE do ser humano na perspectiva de sua família e comunidade; b) a independência do ser é a essência do trabalho da enfermagem, sendo a participação do cliente no processo do cuidado a meta de uma assistência de qualidade;

Desta forma, a enfermagem no contexto domiciliar deve considerar tais pressupostos e, fundamentalmente, trabalhar com o fato de que o profissional, nesta ótica, se insere no domicílio do cliente, devendo portanto, ficar atento para cuidar sem invadir ou, como salienta Caponi, cuidar sem possuir, observando os princípios éticos e legais que sempre nortearam a profissão.

JACQUELINE C. DE OLIVEIRA CALÇADO DIRETORA PRESIDENTE DA NURSING CARE COOPERATIVA DE ENFERMAGEM

BIBLIOGRAFIA: 1. BOWMAN, R. Nursing Returns to Home Health Frontier: markets and trends in Home Health Care In: Aiken LH, Fagin CM. Charthing Nursing’s Future: agenda for the 1990s.Lippincott, Philadelphia,1991. 2. CRUZ, I.C.F.; BARROS, S.R.T.P.; FERREIRA, H.C.Enfermagem em Home Care e sua Inserção nos Níveis de Atenção à Saúde. Documento apresentado pela Sociedade Brasileira de Enfermagem em Home Care ao Grupo de Trabalho em Assistência Domiciliar, Ministério da Saúde, Brasília, 2001. 3. GEORGE, J.B. Teorias de Enfermagem -Fundamentos para a Prática Profissional. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. 4. PORTNOW, J.; SAMUELS, A.J. Tratamento Domiciliar. In: Calkins E, Ford AB, Katz P. Geriatria Prática. Rio de Janeiro, Revinter,1997. 5. POTTER, P.; PERRY, A.G. Fundamentos de Enfermagem. Conceitos, Processo e Prática. 4ª ed, RJ. Guanabara Koogan,1997. 6. SILVA, J. A. C. Psiquiatria S/A. Revista Veja, edição 1706, nº25, Julho, 2001.


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