Buscar
  • Dra Roberta França

O DESAFIO DO CUIDAR NO AMBIENTE DOMICILIÁRIO - NURSING CARE


A assistência de enfermagem domiciliária existe desde o início do século, no Brasil, realizada seja por visitadoras sanitárias da Cruz Vermelha, na cidade do Rio de Janeiro, seja por enfermeiras de saúde pública, baseada no modelo americano trazido ao País por Carlos Chagas. Muitas pessoas não têm expectativa de adoecer ou de sofrer acidentes que mudem suas vidas. Entretanto podem enfrentar alterações difíceis e dolorosas em seu estado de saúde em qualquer momento. Entendemos que a promoção da saúde numa sociedade saudável só acontecerá quando cada um de nós, nos diferentes níveis e setores, compreendermos a importância das “pessoas” como o principal diferencial de nossa organização. Para tanto é preciso romper barreiras e tabus; é preciso ter a coragem de estabelecer o conhecido e enveredar pelos desafios. Segundo Aurélio, a palavra “desafio” significa: ato de desafiar, provocação, diálogo popular cantado, composto de improvisos. Para o profissional de enfermagem que assiste ao paciente em seu ambiente domiciliar esta palavra passa a significar “Persistência e Determinação”. Quando um indivíduo adoece também sua família fica enferma, portanto, este profissional deve ter em mente que seja qual for o ambiente, ele sempre estará tratando o binômio paciente-família. A hospitalização é vista como uma ruptura do indivíduo com seu ambiente habitual. Mudam seus costumes, hábitos e a capacidade de auto-realização e auto cuidado, e causa certamente insegurança. A internação domiciliar permite ao indivíduo retornar ao convívio familiar. A recuperação desses pacientes é muito mais rápida, sem retornos freqüentes ao hospital, por causa do apoio afetivo dos familiares, uma alimentação melhor preparada e ao seu gosto e medicamentos administrados precisamente, além de ser cientificamente comprovada a eliminação do risco de infecção hospitalar. Inúmeros casos de doenças crônicas- degenerativas podem ser gerenciadas no domicílio, promovendo condições favoráveis ao tratamento do indivíduo enfermo. A família também terá papel decisivo neste novo processo, pois deverá estar preparada para assumir cuidados que lhes sejam atribuídos. Para o profissional de enfermagem que vai cuidar deste indivíduo a diferença começa quando ele percebe que o tipo de postura exigida é outra. Ele vai sair do tradicional ambiente hospitalar e adentrar num contexto domiciliar que já existem normas, rotinas e costumes daquela família. Neste ambiente o paciente, não só recebe ordens, como é ele quem também as dá. Quando falamos da modificação da postura profissional é importante fazer com que a família deste paciente não exija uma postura para afazeres domésticos e sim este profissional deverá ser um modelo institucional, diferenciando sua conduta a da conduta dos familiares. È importante que a família perceba, compreenda que neste novo processo este profissional cuidará exclusivamente do paciente. Para evitar certos constrangimentos o profissional de enfermagem em assistência de enfermagem domiciliária deverá adotar alguns itens importantes para alcançar o bom desempenho e resultados favoráveis à internação domiciliar.

1- Agir com ética e postura; 2- Uniformização completa; 3- Interação com os demais membros da equipe; 4- Envolvimento estritamente profissional; 5- Seguir rotinas pré-determinadas pela sua supervisão; 6- Evitar tomar decisões pelo paciente, isso pode provocar uma perda da auto-estima, dependência e depressão do mesmo; 7- Proporcionar dignidade e privacidade para o relacionamento pessoal do paciente com sua família, inclusive com seu cônjuge para evitar a sensação de solidão e isolamento; 8- O profissional de assistência de enfermagem domiciliária deve compartilhar seu mundo com o paciente, mas evitando comentar em demasia sua vida particular. 9- Não tentar modificar o caráter vitalício e os padrões de comportamento do paciente; 10- Dar ao paciente tempo para escutar, aprender a adaptar-se à este novo processo, e todas as mudanças que irão acontecer no seu domicílio.

Para muitos profissionais é difícil visualizar uma postura profissional fora de o tradicional ambiente hospitalar. Contudo, esta, faz a grande diferença entre “profissionais e Profissionais.” Nosso maior objetivo é o bem estar físico-psíco- emocional do nosso cliente. Como Enfermeiros-Educadores devemos sempre estar treinando, inovando e apresentando um conjunto de ações para que, no cotidiano de nossas atividades possamos assumir o compromisso de gerir e desenvolver pessoas. “As empresas contratam pelos currículos, mas, demitem pelas suas atitudes.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AURÉLIO, Dicionário Prático da Língua Portuguesa, Edição 1993. BRUNER/SUDDARTH, Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica, Edição 1994 Revista Médicis Cultura e Saúde. Edição nº 06 Setembro/Outubro 2000. Assistência Domiciliar "O hospital que vai até sua casa." Saúde, A Prefeitura do Rio/ Edição Junho/Julho 2003. Texto: Voltamos às Pessoas!

• Enf. Gisele Grace de Miranda Salgado, Graduada pela EEUFF, Pós Graduação latu senso em Enfermagem em Home Care pela UFF/ 2002. Função atual: Gestora de Assistência de Enfermagem Domiciliária pela Cooperativa de Enfermagem Nursing Care. • Enf. Suzy do Nascimento Santos, Graduada pela FELM, USC RJ. Pós Graduada pela Universidade Estácio de Sá em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar. Função atual: Gestora de Assistência de Enfermagem Domiciliária pela Cooperativa de Enfermagem Nursing Care. Membro do GIEC/RJ (Grupo de Interesse Educação Continuada). “Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada.” – Einstein.


7 visualizações

CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

SIGA NAS REDES

  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon
  • Black Blogger Icon

SIGA O CANTINHO NO FACEBOOK

Cantinho da Geriatria 2020 © - Todos os Direitos Reservados

desenvolvido por Toco Me Voy