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  • Dra Roberta França

ALZHEIMER E DIREITO


DESAFIOS DO DIAGNÓSTICO A CURATELA

Receber o diagnóstico de Demência de Alzheimer não é fácil. Dá-lo também não! Muitos de nós tem muita dificuldade em falar diretamente com o paciente a respeito. A maioria das famílias acham que o paciente não deve saber. Na busca de proteger seu ente querido, tira do paciente seu direito intransferível de entender o que está acontecendo ! Com a Internet e o Dr Google a disposição, o diálogo é cada vez mais importante e necessário. Pacientes e familiares já chegam com uma série de informações, muitas vezes , absolutamente errôneas sobre o assunto. O tratamento é a conversa, um diálogo franco sobre o diagnóstico, evolução e finitude Vejo claramente que as metas são muito diferentes para médicos, família e pacientes. O médico considera a evolução do processo dentro de uma perspectiva clínica, a família deseja que o paciente mantenha sua interação social e o paciente deseja independência. Pode parecer incongruente mas são desejos muito diferentes... Perder o direito de dirigir, de ter sua conta bancária, sair sozinho, ter uma cuidadora, é muito difícil!!! Quem de nós deseja isso? É importante ouvir o paciente! Digo sempre as famílias "demenciar não significa emburrecer" Sempre pergunto ao meu paciente Como VOCÊ está? O que VOCÊ está sentindo? Como eu posso TE ajudar? Mesmo quando ele perde sua self, na verdade ele apenas parou em outro lugar. Ele não se reconhece hoje mas se reconhece há 40 anos atrás. Quantas vezes ouço a família dizer " Dra as vezes ele (a) parece tão lúcido (a)". Você tem razão! O paciente está 100% lúcido na época em que parou!!! Cabe a nós irmos até ele... entrar neste mundo para criar uma identificação. .. Precisamos aprender a lidar com esse nova realidade ... O próprio direito passa a reconhecer o desejo desses pacientes. Todo paciente com demência não pode assinar procuração, a família cabe a CURATELA. Mas até aqui a curatela dava plenos poderes ao curador. Ele decidia sobre todas as atividades, relações e funções do paciente. Não mais! Após a convenção sobre direitos humanos, as novas normas de interdição dão ao paciente o protagonismo dessa história. A interdição passa a ter proporcionalidade , dando ao paciente direitos de escolha dentre daquilo que ainda é capaz. Ele poderá escolher quem gostaria que o representasse, escolher suas roupas, livros, passeios, companheiros e até pequenas compras. É o sistema judiciário compreendendo o que muitos ainda não compreendem Ter demência não nos faz perder a humanidade... Aliás só há demência por sermos humanos. .. Seja bem vindo ao legítimo direito de ser... Não importa onde você parou. .. Nós sabemos quem é você!


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CANTINHO DA GERIATRIA

Textos e artigos da Dra. Roberta França

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